Fernando Rites:
Uma viagem ao “além desportivo do ESC”, um “além” passado, mas presente porque o passado faz parte do nosso património “geneticamente” desportivo para a minha pessoa…
O ESC teve a sua história, um percurso desportivo excelente que enfrentou, no velho pelado Sá Pereira, na idade da minha meninice, clubes como o Gil Vicente, Riopele, Famalicão, Monção, Vianense, Arcos de Valdevez, Leões de Braga (os clubes pequeninos também merecem ser lembrados..), Vizela, Fafe entre muitos outros clubes.
O ESC teve uma certa longevidade desportiva e “desapareceu” e foi refundado em 1948 pelo Prof. Beirão, meu padrinho de baptismo, Porfírio Gomes e Eugénio Martins.
O Sr. Porfírio foi uma lenda em longevidade e apego ao clube e fez parte de um elenco directivo do ESC do qual faziam parte o Presidente Orlando Sá Pereira, o Secretário era o Eugénio Martins e o eterno tesoureiro o Sr. Porfírio, o homem da “chibata”…
Foram quase 20 anos de dedicação ao ESC , como tesoureiro e mesmo como treinador das camadas jovens, vi-o, muitas vezes, com as suas calças arregaçadas no meio do pelado, um lamaçal , no Inverno, treinando os seus meninos, aos quais impunha uma disciplina “quase férrea”, mas o respeito estava sempre presente.
Transportava os jovens no seu FIAT 600 e era um milagre a lotação da pequena viatura… Levava cinco ou mais jogadores, como sardinha enlatada, mas nunca houve uma falta de comparência, pois o seu FIAT chegava há horas aos jogos, embora com muito sacrifício, pois o carburador nem sempre correspondia…
O Sr. João Vilarinho, velho amigo do Porfírio, era o seu braço direito e tirou-o de muitas situações desagradáveis, recorrendo à sua astúcia e inteligência.
O Sr. João Vilarinho, antigo árbitro, estava muitas vezes presentes no escritório do Sr. Porfírio, conversando sobre os problemas do ESC.
Quando não havia dinheiro, o Sr. Porfírio ia aos seus “bolsos” sem dar a conhecer a ninguém, muito menos à família, e a “maquia” aparecia para fazer rolar a “máquina ESC”.
O Sr. Porfirio era temperamental, o que lhe trouxe alguns dissabores, mas AMAVA, como muito poucos, o ESC de uma “forma endémica”.
O ESC, comigo, nunca acaba, dizia o Sr. Porfírio e, realmente, com ele nunca acabou e, mais tarde, por problemas de menor monta, acabou mesmo!
O Sr. Porfírio está ” homenageado ” numa artéria de Esposende, mas está mais homenageado nos nossos corações.
O António Pinto, “velha guarda” do ESC, como médio, merece que o Sr. Porfírio seja aqui lembrado, não é que me pedisse para fazer isso, apenas sei e conheço a dedicação inigualável do mestre Porfírio que foi “um primeiro ou segundo Pai” para este ilustre esposendense.
Foi uma honra escrever estas palavras dedicadas ao Sr. Porfírio, embora devo realçar que o Sr. João Vilarinho, em especial, mereça um destaque como homem também dedicado, de uma outra forma, ao ESC e mesmo à Associação F. Braga.
Um adeus breve aos PORFÍRIOS, não muitos, que engrandeceram o nome do ESC e da Vila, agora cidade, de Esposende.
Carlos Manuel de Lima Barros
(Uma “viagens aos confins” da nossa memória colectiva).
Aos dirigentes que não mencionei, fa-lo-ei, um dia, mesmo breve…
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