Amigo Fernando:
Numa das minhas visitas normais ao teu blog, reparei que hoje o Prof. Carlos Barros, dedicou parte da sua intervenção a uma figura Esposendense, ligada ao desporto, naturalmente estou a falar de Porfírio Gomes Moreira.
Não me é muito fácil, falar de Porfírio Moreira, e digo que não é fácil, porque cresci com ele, como seu empregado, durante muitos anos, acompanhei muito de perto a sua dedicação ao Esposende Sport Club(E.S.C.).
Tinha eu sensivelmente 4/5 anos, já Porfírio Moreira era Dirigente do E.S.C., por eles passaram muitas gerações de futebolista, falo desde as décadas de 40/50/60, jogadores como, entre outros Miquelino, Saganito pai e filho, Catora, Jaime, João Café, Laguna, Sousa, Portela, Cala, Macau, M. Pinto, M. Losa, Joaquim Cruz, João Tamanqueiro, Farol, Zé da Vila, Samuel, Sobral, Vilaça, Jorge, Adolfo, A. Torres, Sotero, Laguna Filho, José Lemos, Amâncio, Passos, J. Vilarinho, A. Cruz, Graça, Augusto, Carvalhos, João Fé, Neireis, e tantos outros, a quem peço desculpa por não recordar.
Eram tempos muito difíceis. Vi muitas vezes a ginástica financeira que ele fazia, falta de dinheiro, para conseguir satisfazer os compromissos do E.S.C.. Era o eterno Tesoureiro, por isso assumia sempre o comando dos destinos do Club.
Estava sempre na linha da frente, era bilheteiro, porteiro, treinador, vigiava o campo, com a sua célebre bragastinha. Homem temperamental, frontal e principalmente amigo do seu amigo, vi muitas vezes sem grande alarido, auxiliar pessoas necessitadas da nossa terra, e não era uma pessoa rica. Mas o futebol para ele era sagrado, fosse quem fosse, até o melhor amigo, o tratamento era igual para todos. Tinha uma excelente virtude, a frontalidade, que muitas vezes, não era bem compreendida (com ao sem razão)e lhe causava aborrecimentos.
Com esta pequena homenagem pública do Prof. Carlos Barros, que teve a coragem e muito bem, de trazer á ribalta, esta figura, que talvez seja o início para despertar ideias e opiniões sobre tão grande desportista, e naturalmente veio trazer à nossa memória, o nosso querido e saudoso E.S.C. que tantas tardes de Glória deu à nossa querida terra.
Normalmente quase todos os anos no final da época a crise de Direcções se instalava no E.S.C., ninguém queria pegar no futebol, realmente era difícil, diria muito difícil, não havia condições financeiras, e quando já parecia que ia mesmo acabar, lá aparecia ele, com o seu amor ao Club, para dar continuidade, era máxima dele “ENQUANTO FOR VIVO O E.S.C., NÃO ACABARÁ, e assim foi.
Como Desportista, como Homem e como Esposendense, OBRIGADO.
Obrigado Carlos, por trazeres às nossas memórias tão grande Desportista.
A. Pinto
Anúncios