SAUDADE DA ESCURIDÃO
Se mal a encontrei, sorrindo
Aos tempos da mocidade,
Para quê falar da esp’rança,
Quando me sobra a saudade?!
Eu, da saudade sei tanto,
-De tanto a ouvir e ter visto, –
Como os quatro Evangelistas
Souberam de Jesus Cristo.
A Saudade andou nas aulas,
Ao tempo da Criação;
-Quem sabe se a luz não teve
Saudades da escuridão?

António Corrêa D’Oliveira

Páscoa, 1948. Quinta de Belinho.

D’OLIVEIRA, António Corrêa. Redondilhas. Porto: Livraria Figueirinhas, 1948. Acervo do editor.
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