Nos “confins da noite” estou a escrever-te umas letrinhas para tentar conquistar o sono.
Recordar um pouco mais e sempre, parte da nossa infância:
A nossa infância foi, de uma maneira geral, um pouco “violenta” onde a agressividade infantil atingia patamares inconcebíveis, à luz da nossa actual cultura.
E porque razão eramos assim?
Vivíamos numa sociedade violenta, sem liberdade e extremamente carenciada, em termos económicos, sociais e culturais.
A sociedade portuguesa viveu a Guerra Colonial a partir de 1961… “e nós crianças do que nos alimentávamos”, culturalmente falando?

Víamos os filmes do “Bonanza”, “Sir Lancelott”, “Robim dos Bosques”, “Lassi”, “Ivanghoe” em televisões “emprestadas ” em espreitadelas demoradas na Casa Losa, Licínio ou Casa do Povo, nas tardes de domingo. Ver a televisão, nessa altura, era luxo…
O que líamos?
Livros de “Cow Boys” de K. Kidd, Búfalo Bill, Kit Carson, Ciclone e Condor, entre outros (Mandrake,…)
Tudo era violência e nós crianças, reproduzíamos essa vilolência, subrepticiamente interiorizada, e daí, a justificação do nosso comportamento violento, mas atenção, era uma “violência amiga”, pois no final das históricas guerras NORTE-SUL na ribeira, com pedras, arcos de varetas de guardas-chuvas, fisgas, íamos jogar futebol e as tréguas apareciam como “geração espontânea”!
Tenho em minha posse dois originais do CICLONE – Buck Jones, em “O cofre roubado” e o CONDOR Nosy Parker em “O rapto de K´Niks”.
Estas revistas saiam aos sábados (CONDOR) e terças-feiras (CICLONE).
Estas revistas, nas épocas de 50/60 custavam 1.20 escudos no Continente e 1.50 no Ultramar.
O Condor era mais barato custando 1.00 escudos.
Nós crianças, quando tínhamos dinheiro, o que era raro, só nos fins de semana, comprávamos estas revistas na Primorosa que estavam expostas na montra e eram emprestadas uns aos outros para serem lidas. Morriam velhinhas…
Foi uma recordação de uma “estória” da meninice”…
Carlos Barros
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