Reportagem da CNN
Ainda o 47º histórico Norte-Sul

Numa tarde radiosa e no relvado viçoso do estádio Padre Sá Pereira, realizou-se no Sábado, dia 25 de Setembro, pelas 16 horas (TME- tempo Meridiano de Esposende-) mais um tradicional e disputadíssimo jogo de futebol entre as duas velhas e rivais metades de Esposende: a do Norte e a do Sul.
A apresentação das equipas, foi feita a três quartos da largura do campo, em frente à bancada principal, estendendo-se a totalidade dos atletas quase de uma linha de cabeceira à outra, i.é, eram tantos que quase enchiam o campo!…. Equipadas a rigor, o Norte de camisa branca e calção azul e o Sul de camisa avermelhada e calção preto, foram superiormente dirigidas pelo internacional e renomado árbitro nomeado pela F.I.F. (I). A.Touca Branca, acolitado por dois bandeirinhas de alto gabarito e conhecidos nestas lides: Manel Cordinhas e Miguel do Zé da Lurdes, todos em excepcionais e comprovadas condições físicas e técnicas…
O Norte alinhou com Romão na baliza, Bochechas, Chana, Mário do Chino, Tóne Miquelino, Zé Miquelino, Armando do Sampaio, Muchacho pai, Muchacho filho, Paulo Bidú, Elias (guarda redes suplente), Xánéro Nunes, Árófe, Aínho , Ranhoso e Rui dos Frigoríficos, jogadores sem posição certa no campo, por uma questão eminentemente táctica.
Por seu lado, o Sul, apresentou:
Luís Menina à baliza, Carlinhos da Jandira (Capitão de braçadeira), Mário Faísca, Manelzinho Brasileiro, Mocas, Tátá Filho, Fernando Pompeu, Tonho, Carlos Azeredo, Manel Fidó, Jarómes, Tonhé Bidú, Paulo Galo, Varito da Milona e Zé Manel.
Logo na primeira jogada o Norte chegou à baliza de Luís Menina, que fez uma extraordinária defesa para canto, de uma bola “sisgada”, chutada. Nada resultou da marcação do mesmo, desenvolvendo-se a partir daí o chamado “jogo de galinha”, ou seja todos a correr atrás da bola que não saía do meio campo.
Passados cerca de seis minutos, Muchacho Filho numa boa jogada pela esquerda, consegue ultrapassar a defesa do Sul e marcar um golo perante a passividade do experiente Luís Menina, que nem se mexeu nem viu a bola passar-lhe rente às chuteiras … A barriga perturbou o mergulho…
Bola ao centro, devidamente colocada pelo Sr. Árbitro, que estridentemente apitou para recomeço do jogo. Alguma movimentação dos avançados de ambas as equipas dentro do grande círculo, donde o juiz não saía, até que Muchacho Pai, lhe meteu “um calço”, atitude que o árbitro, autoridade máxima dentro das quatro linhas, sancionou com um “amarelo”, acompanhado do respectivo correctivo e intervenção do Carlinhos que fez valer o seu estatuto de capitão mor…
Aos 12 minutos, Romão, nitidamente cansado, devido às inúmeras intervenções a que foi obrigado, foi substituído por Elias “Moustache”.
Entretanto a assistência do Sul manifestava-se ruidosamente, protestando contra o árbitro, pois, pelo Norte, estavam em campo e a jogar 12 atletas!
– Pára o jogo, gatuno! Ladrão… vociferavam contra o árbitro…
Uma assistente visivelmente exaltada, invectivava o árbitro e gritava que se ouvia na “Rua Direita:
– Já num podes c’o cú, meu…
O Zé da Lucas e o Pinto aplaudiam e incentivavam os jogadores a estarem parados porque poderiam ter “colapsos cardíacos” pois a idade dos atletas era muito avançada… Deveriam estar no Lar, dizia O Zé do Cocho…
A “coisa” lá se arranjou e entrou-se num período em que o Sul passou a dominar, com jogadas rápidas pela direita, e belos centros de Paulo Galo. Numa dessa jogadas, uma bola centrada em arco, “bateu” na cabeça de Tonhé Bidú e entrou na baliza do Norte, perante o desespero de Elias que bem se estirou, mas não chegou lá.
Logo de seguida assistiu-se á melhor defesa da tarde. Grande jogada do Sul, que mais uma vez chega à área do Norte onde Varito (da Milona) num forte e colocado biqueiro, obriga Elias a uma espectacular defesa com a mão esquerda devidamente enluvada. O Estádio quase vem abaixo, com a assistência de pé, a bater palmas.
Nisto chegou o meio tempo e o árbitro, em gesto altamente profissional e adequado ao acto, que faria inveja ao Colina, mandou tudo para o balneário, levando ele o apito na boca e a bola debaixo do braço, acompanhado dos seus “bandeirinhas” com as barrigas bem abastadas
Na altura o Sul já vencia por 4-2.
No intervalo o Sul retemperou forças e entrou a mata Paulo Galo foge pela direita, centra para Manelzinho Brasileiro, que, com a baliza aberta, depois de rodopiar no pé esquerdo, tropeça e falha o que poderia ser um golo monumental…. A assistência afecta ao Sul aplaudiu a pé o falhanço do Mané brasuca!
Aos 59 minutos, numa outra avançada do Sul, Ranhoso, muito perto da grande área, rasteirou Mocas, que se esticou fragorosamente na relva… Esperava-se um guindaste para levantá-lo mas, felizmente, não foi preciso… O árbitro, sempre muito atento e em cima da jogada, não hesitou em marcar o respectivo castigo que Paulo Galo executou na perfeição com um chapéu por cima da barreira, mas a bola saiu ao lado… Os nortistas suspiraram de alívio.
– “S’ela bai por dentro, carái… era um bonito golo” ! Era só mais um “nisquichinho pa leste”, home! – comentava o Pirata, sentadinho num degrau da bancada, relembrando velhos tempos, certamente…
A partir daqui o jogo ficou equilibrado, com algumas investidas do Norte, que lá ia à baliza do Sul, fazer alguma mossa e algumas vezes assustar a defesa adversária composta pelas “torres” Carlos PSP, Armando Escrita e Manel Badaró Embora se notasse mais frescura na equipa do Sul, recheada de elementos mais ágeis, acrescia ainda o facto de ser visível nalguns dos seus elementos que resta do “calo, ganho primeiramente na ribeira, no velho Esposende Sport Clube e na ADE, por onde passaram na sua juventude.
O exemplo disso esteve numa primorosa jogada começada na esquerda com a bola bem conduzida por Paulo Galo (que fez uma boa partida) que a finalizou com um centro milimetricamente executado para Manelzinho Brasileiro, que recebeu a “pelota”, dominou-a, passou-a por cima da cabeça do defesa adversário e espectacularmente, enviou a bola para o canto direito da baliza. Um golo de facto de antologia, digno de um grade craque! Os observadores do Chelsea e do Real Madrid aplaudiram e fizeram o seu registo, no bloco comprado na Miquinhas do Cávado.
Por estas e por outras, a certa altura o desequilíbrio era notório, o que se ia reflectindo no resultado. Os sulistas respiravam frescura física devido aos intensos treinos feitos na ribeira (um por ano e à noite!…). Mesmo os tísicos corriam como “chitas” atrás das gazelas nas savanas da ribeira.
Notando tal diferença, entrou em acção o sentido táctico do grande timoneiro, o capitão Carlinhos da Jandira. O Carlinhos estuda o jogo, distribui a bola, giza a acção dos seus avançados: é o Deco da equipa. Ele conhece bem os contendores.
Para ele o resultado é secundário. Por isso procura o equilíbrio. Não há melhores nem piores. Todos são bons. Todos são de Esposende. Bairrismo sim, mas salutar!
O Carlinhos tem a visão estratégica de um Grande Seleccionador. Todos os seus pupilos jogam “por” Esposende. O Muchacho mesmo a resmungar, tem sido o grande amigo e assessor do Carlinhos nos “Nortes-Suis” desde, há muitos e muitos anos. Este ano, as últimas aquisições do Carlinhos foram surpreendentes…
Por isso o Carlinhos “mexe” nas equipas e troca os elementos de uma pelos da outra, ou seja “alguns “do Norte passam para o Sul e vice-versa. Para “compensar”. Tudo sem qualquer manifestação de desagrado. Na paz do Senhor.
Ninguém fica “traumatizado” nem faz declarações intempestivas à “comunicação social”, por ser “obrigado” a mudar de cores ou de ares… o distintivo é só um: a sã camaradagem bairrista. Ninguém assume atitudes de “vedeta”, mesmo que a Esposende TV esteja a filmar…
Os seus “rapazes” são “sobeja e altamente” disciplinados….
O prémio é sempre a confraternização que termina nuns alegres “comes e bebes”. Ou melhor, “bebes e bebes”… O Tarrio forneceu a vinhaça, mas a pinga caiu mal nos “bebedouros”…
As taças e as medalhas são para enfeitar e recordar, e o resultado do “embate” é o que menos interessa. Este ano parece que a “coisa” ficou por uns 7-2 a favor do Sul… O Muchacho “berrava” a” sete foles” em todas as direcções e “ameaçava” o árbitro “Touca Prêta” e o resultado enervava o capitão do Norte!…
A este “encontro”, que já se realiza regularmente há uns bons anos, quarenta e sete anos, assistiram: o Sr. Vereador da área do Desporto, Professor Rui Pereira e o Presidente da Junta, os representantes da C.V.V.T.- (Comissão da Viticultura dos Vinhos do Tarrio) além de uma entusiástica assistência, que se estivesse toda sentada, encheria para a um terço da bancada… Como nos velhos tempos, alguns nortistas e sulistas, para não pagarem bilhetes, estavam dependurados nos pinheiros do hospital e por trás das austrálias, lado da Zende.
No final do “esgotante” jogo foram distribuídas taças às equipas vencedoras e medalhas alusivas ao “derby”. A ADE e a Junta de Freguesia também receberam as taças pelo apoio dado a este certame desportivo.
Este “invento” teve o apoio da Câmara Municipal, da A.D.E., da Junta da Freguesia de Esposende, Caixa de C. A. Mútuo de Esposende, Zendinformática e de algumas casas comerciais: Peixarias S. João e S. Pedro-.
Para o ano há mais, como diz o Carlinhos. Possivelmente precedido de um Norte/Sul feminino.
Tem a palavra a Lurdinhas Mó.
Parabéns à organização e ao velho amigo professor Carlos Barros, o “nosso “ destacado bairrista “Carlinhos da Jandira”.
Reportagem do nosso enviado especial

Tóne Béque.
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