Por Paulo Dias
Há algum tempo atrás, fui questionado por um casal proveniente da Bélgica que queria saber onde se situavam os moinhos da Abelheira? O casal havia-me dito, que viram na Estrada Nacional um cartaz tão bonito dos moinhos que não hesitaram na sua procura. Quando chegaram ao local ficaram boquiabertos com o abandono do património, as ervas envolventes, a falta de uma escadaria, enfim a falta de condições evidenciadas pelo que observaram. Antes de sugerir algo, vou focar uma boa prática em Leiria. Na cidade do Lis, há um “moinho de papel”, uma obra do judeu Abraão Zacuto e que foi reconvertida por Siza Vieira. Este moinho permitiu o fabrico do livro, como o “Almanaque Perpetuum” que tanto ajudou os nossos descobridores quinhentistas. Fabricaram-se aí as primeiras folhas à base de celulose, o chamado papel tradicional de trapo como na China. Hoje, funcionam ateliers para as crianças aprenderem a fazer papel, havendo também um moinho de pão para o seu fabrico artesanal. Voltando à Abelheira, e por que não renovar aquele património e criar um “atelier do pão” e fazendo jus ao nome do lugar (Abelheira), criar também uma “colmeia experimental”, para a miudagem saber como se faz o mel. (continua)

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