Deixar um testemunho sobre o Senhor Braga, Joaquim da Silva Braga, não é uma tarefa fácil porque foi uma personagem singular que marcou a sociedade esposendense de uma forma bastante marcante, a vários níveis: comercial, desportivo, humanitário e  solidariedade…
O Senhor Braga deixou uma obra enorme, no campo da solidariedade, do altruísmo, da sua elevada sensibilidade humana, sempre pronto a ajudar o “próximo”. Foi uma figura proeminente, em termos de apoio,  à Santa Casa da Misericórdia de Esposende, ao Esposende Sport Club -ESC- e Associação Desportiva de Esposende-ADE-, à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Esposende, a  que dedicou especial atenção,  tendo dado  vastos apoios pecuniários, sempre com a missão de “bem servir” e, pessoalmente,  considerava-o o MELHOR BOMBEIRO CIVIL DO MUNDO, pelo amor, carinho e desmedido apego aos nossos Bombeiros de Esposende. O seu nome está justamente, gravado numa das viaturas da Associação de Bombeiros  V. de Esposende mas, acima de tudo, a sua imagem e obra está gravada nos nossos corações.
Pessoalmente, era um grande amigo do senhor Braga e, durante alguns anos, assistíamos, lado a lado, nos camarotes do Estádio Padre Sá Pereira -ADE-, assistindo aos jogos e brincando com o desenrolar dos acontecimentos desportivos que se desenrolavam no relvado. O Zé Rego, era um dos amigos que ultimamente nos fazia companhia no campo, partilhando as nossas brincadeiras e o nosso humor  que estava sempre presente. Fomos e sempre seremos um “trio” unido  na dedicação ao Esposende! À entrada do campo, esperava sempre pelo meu amigo senhor Braga. Eu era um dos muitos e muitos amigos que o senhor Braga possuía…
Recordo-me, em 2004/2005, em que a ADE esteve para encerrar as “portas”, após várias Assembleias Gerais, sempre infrutíferas, reunimos, num último apelo à sobrevivência da ADE, numa das salas do salão Paroquial, com o rev. Padre Delfim, Presidente da Assembleia Geral, Dr. Nogueira, Eng. Vitor, Sr. Braga entre outros esposendenses, e no último instante, o Sr. Braga colocou-me a mão sobre o ombro e disse-me:
Carlos, avance para Presidente, tem o meu apoio. Eu era talvez o menos indicado, um mero professor sem  “dotes de capital financeiro”, talvez o mais “teso”, desculpem-me o termo, dos presentes…
Estas palavras, esse gesto, foi o corajoso avanço para assumir a Presidência da ADE e fi-lo, acima de tudo, pelo Sr. Braga  porque sabia que sofria, como poucos, pela sobrevivência do Esposende. Não estou arrependido de ter assumido o cargo, numa Associação Desportiva que tinha um passivo monstruoso e poderei afirmar, que no final do mandato, a gerência do Esposende, em termos económico/financeiros ficou mais saudável e o passivo foi reduzido substancialmente, para além do sucesso desportivo dos seniores, juniores e iniciados, todos  a disputarem os nacionais.
O senhor Braga esteve , indiretamente, ao leme, nesse ano, da ADE, e foi um importante e insubstituível meu  interlocutor nas horas difíceis.
Nos bastidores, tínhamos e ainda temos, um homem de referência  do ESC/ADE que é o senhor João Vilarinho, sócio número um do ESC, grande amigo do Senhor Braga que comungava e comunga um  carinho e uma dedicação especial ao Esposende, quase sem limites.
Para escrever os amigos do senhor Braga (António Terra, A. Pilar, João Vilarinho, António Pinto, Pereira, Silveira, Dr. Nogueira, Eng. Vitor, Zé Rego, Prof. António Ribeiro,…) acabaria o meu tinteiro da impressora, o que demonstra a sua dimensão humana e o seu longo leque de amigos, espalhados por Esposende  e por este País fora.
O contributo do Sr. Braga no futebol não se cinge neste meu depoimento, vai muito  para além disto, sem falar na sua obra social e humanitária!
Peço desculpa de me  concentrar  um pouco na “órbita do futebol,” mas, sinceramente, foi  nesta modalidade em que vivi uma experiência muito viva e gratificante, tendo ao meu lado o Sr. Braga.
Apresento as minhas profundas e sentidas condolências à Drª Maria da Luz, marido e demais familiares e, tenho a certeza,  que no  funeral do senhor Braga, estarão centenas de Esposendenses presentes, com os seus corações cheios de saudade mas,  muito tristes, por “perderem” um GRANDE AMIGO que os Esposendenses e não só, nunca mais o irão esquecer.
Do Carlinhos da Jandira, Senhor Braga, o meu  testemunho, muito singelo e sentido,  constitui o meu bem-haja final.
Paz à sua Alma e os Homens Bons, como o Senhor Braga, têm lugar reservado no  Paraíso, onde se sentem apenas os HOMENS BONS E JUSTOS.
Carlos Manuel de Lima Barros
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